as muitas e as mídias

Blog da Luc Maffra. Esta blog foi iniciado na disciplina Mídia e Poder do curso de pós graduação em Comunicação Social da Faculdade Casper Líbero, sob orientação do Prof. Dr.Dimas Kunsch.

29/3/08

Poesia - Gerusa Medeiros

Poesia de Gerusa - DOR

¨Quando chega a hora daquele que em meu ventre, maduro se encontra, nos deparamos com inúmeros obstáculos que juntos iremos passar.
Já não basta a dor da separação, depois de nove meses junto, compartilhando o que em nós existe. Passamos por privações, farturas, alegrias e tristezas. Compartilhei o que de melhor existia em mim, para que a vida fosse reproduzida. Chego ao local que me aguarda e, assustada estou por ser um mundo fechado e inacessível.Entrego os meus pertences, me deixam nua. Visto uma "comum" e perco a identidade. Separam-me dos que me dão segurança. Sou chamada por um número de leito, um procedimento ou simplesmente "mãezinha", quando carrego no ventre alguém que não verá a luz do mundo. Entro num processo de solidão e muda, apenas me conduzem. Toquem menos onde me dói tanto. Segurem minha mão que estendida encontra o vazio de mãos que não me atendem.
Matem minha sede de água e atenção. Enxugem minhas lagrimas de dor e solidão. Falem do meu filho e de como estamos. Não me deixem só, pois estou com medo.Se é o meu primeiro, acham que sou jovem o suficiente para tê-lo. Quando mãe de muitos filhos, chamam-me de fraca e questionam "por que teve tantos?".Nunca me comporto bem. Sinto-me impotente com tantas exigências. Se meu filho custa a nascer na sala, sou a responsável por não ter mais forças. Sinto-me cansada, impotente e responsável naquilo que não der certo.Tenho os filhos que amei e desejei, como também tenho os que não planejei. Sou traída por aquele com quem divido o leito e não respeita os limites da natureza.Quero ser livre para ter meu filho, pois sei que sou capaz de tê-lo. Soltem as algemas que me prendem ao leito, para que eu possa soltar o corpo que ativamente se cobre de luz para dar a luz. Quero ser apenas amada e respeitada. Que seja tirado dos meus ombros o peso do Edem, quando, no entardecer dividi com meu companheiro o suor do rosto e a dor do parto.¨
Gerusa Amaral de Medeiros
Enfermeira formada pela UnB, com especialização em Educação Sexual. Leciona e atua como enfermeira em Brasília, DF 

criado por lucmaffra    12:01:51 — Arquivado em: ELAS TEM O QUE DIZER

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