30/3/08
A BLOGUEIRA ou A vida não é o que pensamos por Lucmaffra
A L T A V E L O C I D A D E
Tereza Cristina era motorista . Dirigir era sua paixão , qualquer veículo era bem vindo , fosse de duas ou quatro rodas. Ela era habilidosa no volante e no trato com as pessoas. Loirinha e baixinha andava sempre maquiada e com as unhas feitas, ninguém diria que elaera mãe de duas pré adolescentes. Teca pegava no volante cedo e como muitas mulheres enfrentava três turnos de trabalho: a casa, o serviço e a rua. Com o Nextel ligado ela atravessava a cidade , driblando o transito caótico. Conhecia bem as vielas e uns buracos de arrepiar. As caronas a aproximaram de Manu, tornaram-se amigas.
Naquela noite elas seguiam pela marginal Tiete quando uma Paraty preta com uma enorme caveira no vidro começou a segui-las… ¨Minha nossa !¨Um sujeito de boné ao volante gritava alguma coisa..Teca ficou apreensiva, pisou firme fugindo do mano mau encarado. Manu anotou o número da placa guardando o papel no porta luvas . ¨O que era aquilo? Parecia um demônio dentro daquele carro!¨ As duas riram .Pararam no barzinho de sempre.Beberam e conversaram…Já passava das duas da manhã quando saíram.. O carro não ligava.¨ Ai , a bateria já era…¨Teca girava a chave e nada. Uma mulher aproximou-se. ¨Tudo bem aí? ¨
BLOGUEIRA ou A vida não é o que pensamos por Lucmaffra
CANTO e CURA
Dolores ligou :estava com a mãe no hospital. Uma cliente chegaria em minutos. Celina enviou-lhe umas músicas . Manu ficou intrigada com a voz da mulher:nunca havia escutado algo assim.Aquele som a deixou confusa por dias.. Como uma mulher podia fazer ¨aquilo¨?De onde vinha aquele som ancestral?Celina entrou: tímida e magrinha , não parecia a dona do vozeirão… Ela iria divulgar seu trabalho na Internet.Como muitas artistas não encontrou espaço nas gravadoras nem nas rádios.Os donos torciam o nariz para o repertório não-convencional.Conseguir divulgação numa rádio educativa era impossível.Em duas horas a pagina vermelha e lilás saiu! . Manu estava satisfeita .O encontro com a bruxa cantadeira fez Manu espreguiçar se..O ruído do celular interrompeu aquele momento zen…Era Teca ligando..
29/3/08
Poesia de Gerusa - DOR
¨Quando chega a hora daquele que em meu ventre, maduro se encontra, nos deparamos com inúmeros obstáculos que juntos iremos passar.
Já não basta a dor da separação, depois de nove meses junto, compartilhando o que em nós existe. Passamos por privações, farturas, alegrias e tristezas. Compartilhei o que de melhor existia em mim, para que a vida fosse reproduzida. Chego ao local que me aguarda e, assustada estou por ser um mundo fechado e inacessível.Entrego os meus pertences, me deixam nua. Visto uma "comum" e perco a identidade. Separam-me dos que me dão segurança. Sou chamada por um número de leito, um procedimento ou simplesmente "mãezinha", quando carrego no ventre alguém que não verá a luz do mundo. Entro num processo de solidão e muda, apenas me conduzem. Toquem menos onde me dói tanto. Segurem minha mão que estendida encontra o vazio de mãos que não me atendem.
Matem minha sede de água e atenção. Enxugem minhas lagrimas de dor e solidão. Falem do meu filho e de como estamos. Não me deixem só, pois estou com medo.Se é o meu primeiro, acham que sou jovem o suficiente para tê-lo. Quando mãe de muitos filhos, chamam-me de fraca e questionam "por que teve tantos?".Nunca me comporto bem. Sinto-me impotente com tantas exigências. Se meu filho custa a nascer na sala, sou a responsável por não ter mais forças. Sinto-me cansada, impotente e responsável naquilo que não der certo.Tenho os filhos que amei e desejei, como também tenho os que não planejei. Sou traída por aquele com quem divido o leito e não respeita os limites da natureza.Quero ser livre para ter meu filho, pois sei que sou capaz de tê-lo. Soltem as algemas que me prendem ao leito, para que eu possa soltar o corpo que ativamente se cobre de luz para dar a luz. Quero ser apenas amada e respeitada. Que seja tirado dos meus ombros o peso do Edem, quando, no entardecer dividi com meu companheiro o suor do rosto e a dor do parto.¨
Gerusa Amaral de Medeiros
Enfermeira formada pela UnB, com especialização em Educação Sexual. Leciona e atua como enfermeira em Brasília, DF
No miniseminário foi realizada análise de dois peródicos nacionais: Veja e Carta Capital sobre o afastamento de Fidel Castro


O grupo é formado por:
Leandro Breda / Amanda Moreira/ Iuri Barros de Freitas/ Cinara Freitas/ Luciana de Queiroz Telles Maffra / Luana Orlani/ Marcio Harada Penna/ Thaís Santos de Jesus / Mariana Hui/ Luiz Antonio Galvão
Tema: Como duas das principais revistas impressas informativas brasileiras (Carta Capital e Veja) apresentaram a renúncia de Fidel Castro
Pretendemos apresentar : introdução e breve histórico das revitas Carta Capital e Veja;Como as revistas Carta Capital e Veja fizeram coberturas sobre a renúncia de Fidel Castro; discussão com a classe ; bibliografia.
28/3/08
A BLOGUEIRA ou A vida não é o que pensamos por Lucmaffra

Nice sempre reservava um lanche para Jarbas o mendigo que havia fugido de uma instituição psiquiátrica .Ele dormia nos bancos ou nas ruazinhas onde conseguia cigarros e café , cantando Roberto Carlos ou conversando sozinho Parecia desvendar as pessoas com seus comentários.(imagem : Monica Vendramini)
26/3/08
A blogueira ou a vida nao é o que pensamos por Lucmaffra
REALIDADE
Nice acordava todos os dias as cinco da manhã e pegava dois ônibus para trabalhar. Onibus cheio, inúmeras mulheres dormiam nos bancos e como ela haviam deixado as crianças em casa . Por que elas não poderiam ter seus filhos por perto enquanto trabalhavam? Nice reclamava na prefeitura e todos anos : oitocentas crianças por vaga .Nos bairros ricos as mulheres ¨esqueciam-se¨ que as babás também tinham filhos.Nice estranhava que as mulheres não lutavam juntas por um direito de todas..Ela trabalhava como faxineira na produtora e vendia lanches. Na hora do almoço o cheiro dos salgados tomava conta das ruas. ( imagem: Maureen Bisilliat)
A BLOGUEIRA ou A vida não é o que pensamos por Lucmaffra
TROCA
Manuela tomava café..Estava triste e sairia mais cedo de casa. Prana olhou-a enternecida ¨ desencana, voce vai sair bem dessa, as coisas mudam¨, Sibila concordou ¨há quanto tempo você não se diverte? ¨Você precisa sair , arrumar uns caras…¨ Vem cá que eu vou te façouma maquiagem diferente, você ta com uma cara horrível, deixa eu massagear suas costas, estão duras como tijolo ! ¨
Elas não compreendiam o envolvimento de Manu com o trabalho…
Ao chegar na produtora Manuela viu Nice.¨ Voce quer uma ajudazinha?¨ Manu titubeou , afinal Nice era faxineira…Logo notou que Nice possuía um inacreditável senso de organização e pegava as informações no ar..Manu mostrou-lhe como usar o computador o que Nice ansiava há tempos. Ela sentou-se diante do monitor e com brilho nos olhos lia cada palavra e mexia no mouse , clicando… Ficaram as duas trabalhando em silêncio.(imagem:Magy Imoberdorf)
23/3/08
Elisa Lucinda O Poema do Semelhante
¨O Deus da parecença que nos costura em igualdade
que nos papel-carboniza em sentimento
que nos pluraliza que nos banaliza
por baixo e por dentro,foi este Deus que deu
destino aos meus versos,
Foi Ele quem arrancou deles a roupa de indivíduo
e deu-lhes outra de indivíduo ainda maior, embora mais justa.
Me assusta e acalma ser portadora de várias almas
de um só som comum eco ser reverberante
espelho, semelhante ser a boca
ser a dona da palavra sem dono
de tanto dono que tem.
Esse Deus sabe que alguém é apenas
o singular da palavra multidão É mundão
todo mundo beija todo mundo almeja
todo mundo deseja todo mundo chora
alguns por dentro alguns por fora
alguém sempre chega alguém sempre demora.
O Deus que cuida do não-desperdício dos poetas
deu-me essa festa de similitude
bateu-me no peito do meu amigo
encostou-me a ele em atitude de verso beijo e umbigos,
extirpou de mim o exclusivo: a solidão da bravura
a solidão do medo a solidão da usura
a solidão da coragem a solidão da bobagem
a solidão da virtude a solidão da viagem
a solidão do erro a solidão do sexo
a solidão do zelo a solidão do nexo.
O Deus soprador de carmas
deu de eu ser parecida Aparecida
santa puta criança deu de me fazer
diferente pra que eu provasse
da alegria de ser igual a toda gente
Esse Deus deu coletivo ao meu particular
sem eu nem reclamar Foi Ele, o Deus da par-essência
O Deus da essência par.
Não fosse a inteligência
da semelhança seria só o meu amor
seria só a minha dor bobinha e sem bonança
seria sozinha minha esperança ¨
Orides Fontela Teia
¨A teia, não mágica mas arma, armadilha A teia, não morta mas sensitiva, vivente a teia, não arte mas trabalho, tensa a teia, não virgem mas intensamente prenhe: no centro a aranha espera. ¨